Devido a alguns pedidos de amigos, colegas, parentes, inimigos e algo mais, vou comentar alguns pontos do tão discutido Movimento Gota d'água. Quem não sabe do que se trata, é só clicar no link. Como bom futuro Engenheiro Ambiental (se tudo der certo, em 2012 vai!) aqui vão algumas explicações sobre o tema.
Primeiro, o vídeo começa com algumas frases ditas por pessoas que realmente entendem do assunto (ironia):
Primeiro, o vídeo começa com algumas frases ditas por pessoas que realmente entendem do assunto (ironia):
- "Você sabe o que é a hidrelétrica de belo monte?";
- "Você ja visitou a Amazônia?";
- "Sabe o que é energia limpa, desenvolvimento sustentável?".
Comentarei apenas a parte de energia limpa.
Garanto que todos eles não tem carro, só usam transporte público, não compram roupas de indústrias que agridam o ambiente, não usam cosméticos, não utilizam mais energia do que o necessário para iluminar jardins, ou as salas de estar, jantar, cantar e dançar de suas casas. (ironia)
O conceito de energia limpa é amplamente discutível, quando se faz uma análise técnica adequada da questão. Por exemplo: Uma das alternativas que esse pessoal, que é expert no assunto, cita como solução, seria a construção de usinas eólicas e solares.
1º - Em questão de eficiência, para que uma Usina Solar consiga produzir a mesma quantidade de energia de Belo Monte, a área necessária para a instalação dos painéis fotovoltáicos (que ao contrário do que muita gente pensa, não são aqueles painéis que tem no telhado do seu vizinho ou no seu) que tem a capacidade de gerar energia elétrica através da luz do sol, seria talvez igual ou maior do que a área que será inundada.
2º - O custo desses painés é extremamente alto, bem como a sua manutenção.
3º - Os materiais utilizados para a contrução e manutenção, os veículos para o transporte de tudo isso, o custo das linhas de transmissão, a construção de terminais de transmissão e armazenamento, são todos fatores relevantes, que demandam área disponível e dinheiro.
4º - Usinas Eólicas. Possuem todos os mesmos custos (inclusive em relação a eficiência) - linhas de transmissão, áreas disponíveis, vento - e em sua maioria, seriam instaladas no litoral do país (que é onde se tem uma maior atividade eólica). O que muita gente não sabe, é que esses locais (os tais litorais) são protegidos por lei, muitas vezes são de difícil acesso, de relevo acidentado, e aí você pensa: - Fornecer energia para o oeste do país com energia eólica, o quão barato seria puxar um "fio" do litoral de Natal - RN, para iluminar qualquer cidade do Acre?
5º - Não existe nenhum tipo de energia 100% limpa, tenham isso em mente. Tudo que você usa na sua vida, vem de algum lugar. Pelo que eu saiba, ainda não encontramos algum planeta que possa se explorado para suprir nossas necessidades, então acredito que desde a matéria prima usada na confecção da sua cueca e/ou calcinha, até a do seu notebook, todos esses materiais, vem da natureza! (Pense nisso)
Outra questão polêmica é a utilização de apenas 1/3 (30%) da capacidade de produção de energia da usina.
Quando se faz um projeto desse tipo, existem vários parâmetros que são analisados e dentre eles está a vazão do rio, ou seja, a quantidade de água que passa por ali, geralmente expressa nesses casos em m³ (metro cúbico) por segundo, por hora ou por dia (m³/s , m³/h ou m³/dia). Só a título de conhecimento, 1 m³ = 1000 litros. Segundo Francisco Hernandez, dependendo da estação do ano, a vazão do rio Xingu pode variar entre 800 metros cúbicos por segundo e 28 mil metros cúbicos por segundo.
Para a construção de uma usina desse jeito, é necessário que se tenha o conhecimento da Série Histórica de Vazões Rio, que nada mais é do que os dados de vazões diárias, durante um período de pelo menos uns 10 anos. Ou seja, eles sabem bem quanto de água eles tem disponível para o projeto. Outra coisa, todo projeto hidrelétrico é baseado nesses dados de vazão, de tal forma que a usina é construída para operar em um intervalo de uma vazão mínima e de vazão máxima. A função do "lago" da usina, é justamente garantir que haja água para a geração de energia.
Vc pode pensar: "Mas e a porcaria dos 30%?!"
Meu amigo e/ou minha amiga, se você conhece algum rio, em algum lugar do planeta, com o potencial parecido com o deste rio e que forneça a vazão MÁXIMA durante os 365 dias do ano, vc ta perdendo de ficar milhonário. Nenhum rio possui vazão máxima 100% do tempo. Nenhuma usina hidrelétrica opera o ano inteiro com 100% da capacidade. E aí eu quero ir mais afundo!
Quando se tem os dados de vazão (série histórica), vc acaba tendo uma "pequena" noção de quanto é a variação da vazão (m³/dia, ou m³/h, ou m³/s) durante o ano, o que te da uma certeza de quanto você vai produzir de energia operando com eficiência máxima e mínima. Numa usina hidrelétrica, você PRODUZ energia 100% do tempo, a não ser que seu rio seque, o que provavelmente inviabilizaria o projeto.
Agora pensa comigo! Uma USINA SOLAR, por si só, ja perde 50% do rendimento, porque se você vive no mesmo planeta que eu, o período "ensolarado" é de, jogando alto, 12h! Isso sem contar os dias chuvosos, nublados, a capacidade de produção de energia que às 6h da manhã é uma, às 12h é outra e às 18h é outra, dependendo da intensidade do sol.
Uma USINA EÓLICA então, onde você depende do VENTO! Não precisa ser nenhum tipo de estudioso muito aplicado para chegar a conclusão de que medir a quantidade de água é bem mais fácil do que medir a quantidade de VENTO que passa por uma região. E vc precisa desses dados, afinal é através deles que você dimensiona todo seu sistema.
Então não venha me dizer "Ó, SÓ SERÃO USADOS 30% DA CAPACIDADE INSTALADA", se for assim, a energia solar no seu máximo rendimento só forneceria 50% da capacidade instalada.
Outro ponto. Vi em um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de um rapaz chamado Daniel Villela Runkel de Sousa, Engenheiro Ambiental formado pela Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, que a área "alagada" não seria de 640 km² , e sim de 516 km², sendo que desses 516km², 228 km² são HOJE, a área do próprio rio! E MAIS! Desses 516 km² apenas 24% são florestas, ou seja, são 133 km² de florestas, e não 640 km²! Aí você pode perguntar, mas se não são florestas, o que são os 76% que sobram? Sei lá cara. Fazendas, campos, áreas desmatadas (que também quase não existem na Amazônia né!), cidades, vilas, aldeias indígenas, só sei que não são florestas.
Outra questão! A população ribeirinha! Índios, vilas cidades e bla blá. Pra quem não sabe, as regiões mais afetadadas serão Altamira, Vitória do Xingú, Belo Monte e Sto. Antônio. São em sua maioria, cidades e/ou povoados, sem uma rede de drenagem adequada, sem rede de esgoto sanitário, sem programa de gestão de resíduos sólidos e fora todos os problemas sociais. Então, o que fazer com esse povo e com essas cidades?
Leiam o EIA/RIMA! Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental de Belo Monte. Lá, você encontra, quantas pessoas serão afetadas, situação financeira, quantas estão localizadas na margem esquerda do rio, quantas na margem direita, pra onde elas serão realocadas, quais serão as condições e tudo mais.
Como esse texto ja ta muito grande, eu fico por aqui, só venho ressaltar que é muito fácil ver uma propaganda de vários atores (doutores e mestres do assunto) querendo fazer um abaixo assinado para PARAR a construção de Belo Monte. É necessário sim, que haja uma discussão, porque todas as alternativas relacionadas à realocação das populações ribeirinhas estão listadas no EIA/RIMA e creio eu que o grande problema seja o CUMPRIMENTO desses programas. É nisso que precisamos ficar de olho!
E não só à respeito das populações ribeirinhas, mas à todas as questões relacionadas à esse assunto. Não fiz esse texto com o intuito de defender Belo Monte, pois ainda não possuo uma opinião 100% formada a respeito, mas para mostrar que para se julgar determinado assunto, é necessário acima de tudo, conhecimento e informação, e que de preferência, tenham como fonte profissionais treinados e habilitados, não um bando de rostos conhecidinhos e bonitinhos que não trazem NENHUMA credibilidade ao assunto.
E Maitê, coloca essa blusa ae, que vc já passou da idade vai.
E Maitê, coloca essa blusa ae, que vc já passou da idade vai.
Caro Diogo. Achei interessante seu artigo. Você só esqueceu do principal. Ler o Manifesto. Então tomei a liberdade de copiar pra vc.
ResponderExcluirP.S- lembre-se que você não vive lá. Então,se quer uma resposta melhor, vá lá algum dia, ou pergunte aos POUCOS como vc disse, o que eles pensam a respeito. Usaram "rostinhos conhecidinhos"(sic), pq infelizmente no Brasil, as pessoas só tomam conhecimento das coisas realmente importantes, quando se tem pessoas conhecidas na telinha. segue manifesto:
Português
Vossa Excelência Sra Presidente Dilma Rousseff
Exmo. Sr. Presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia PT/RS
Nós do Movimento Gota D’Água pedimos o vosso empenho e ação para evitar mais um desastre ambiental de proporções gigantescas:
• pedimos vossa atenção para ouvir os argumentos da população do Xingu, dos ambientalistas, técnicos e cientistas verdadeiramente empenhados em achar soluções para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
• pedimos o fim dos discursos ambientalistas de palanque e o avanço na direção de uma discussão verdadeira em prol de políticas alternativas de geração de energia sustentável - capazes de gerar a energia necessária ao desenvolvimento do país, sem arruinar um ecossistema dessa magnitude
• pedimos a interrupção imediata das obras de Belo Monte e a abertura de um amplo debate, que convoque os brasileiros a refletir e a opinar sobre qual modelo de progresso estão dispostos a perseguir, cientes das conseqüências de suas escolhas.
(Os Signatários)
E por fim, a Maite pode não ser mais uma mocinha, mas na minha opinião ainda dá "um caldo" rsrs!!
Prezado Anônimo, obrigado pelo esclarecimento sobre o manifesto. Só tenho a dizer que em nenhum momento eu quis tirar o crédito da discussão. O que eu rebati foram apenas as informações que os próprios atores falam, como se fossem verdades absolutas, induzindo às pessoas a acreditarem em certos pontos que são plenamente comuns em projetos de usinas hidrelétricas. Como eu disse no próprio texto, não sou a favor nem contra a usina, pois não tenho informações suficientes para ter uma opinião, mas sou plenamente a favor da discussão sobre o tema.
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